Na efervescente paisagem imobiliária de Itapema, Santa Catarina, onde o metro quadrado figura entre os mais caros do Brasil, um projeto de luxo audacioso encontra-se em impasse. A "Messias Sky Tower", um arranha-céu grandioso planejado para mais de 50 andares, que presta homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda não saiu do papel, apesar de ter sido lançado com pompa há seis meses. No terreno da Avenida Nereu Ramos com o Rio Bela Cruz, onde o empreendimento deveria ser erguido, uma residência simples permanece intacta, simbolizando os desafios enfrentados pela iniciativa.
O empreendimento foi concebido como uma clara alusão ao ex-presidente, que obteve significativa votação em Itapema nas eleições de 2022. Seu lançamento, em outubro do ano passado, contou com a presença de Jair Renan e Carlos Bolsonaro, filhos "04" e "02" do ex-mandatário, respectivamente, que participaram da cerimônia e endossaram a homenagem. Contudo, desde então, a construtora Dallagassa, idealizadora do projeto, tem enfrentado uma série de obstáculos, incluindo dificuldades para obter as licenças ambientais necessárias, atritos com corretores locais e um impasse na negociação do terreno com seus atuais proprietários.
Fontes do mercado imobiliário local apontam que o projeto pode ter “queimado etapas”, antecipando a divulgação em um momento em que burocracias essenciais, como a obtenção da Licença Ambiental Prévia (LAP) junto à prefeitura, ainda não haviam sido cumpridas. A demora na regularização gerou atritos, especialmente com os corretores que haviam impulsionado a venda inicial e que dependiam da continuidade do projeto para o pagamento de suas comissões. Diante das turbulências, a Dallagassa chegou a notificar os proprietários do terreno sobre a intenção de realizar um distrato, indicando uma possível desistência da construção. No entanto, a licença ambiental foi finalmente emitida no último dia 6, permitindo agora a solicitação do alvará de construção.
Apesar da recente obtenção da licença, o cenário atual é consideravelmente diferente do momento do lançamento. Além do desgaste acumulado, o contexto político e pessoal do ex-presidente, que recentemente retornou ao regime domiciliar após problemas de saúde, acrescenta uma nova camada de complexidade à decisão. A construtora Dallagassa afirmou, em comunicado, que, embora não haja mais impedimento administrativo, avaliará "em conjunto com os demais envolvidos, a conveniência e oportunidade de eventual retomada do projeto, bem como os termos em que isso poderá ocorrer". É importante ressaltar que, apesar da homenagem e da participação de seus filhos no lançamento, o projeto não possui vínculo direto com a família Bolsonaro, tendo seu nome registrado pela própria construtora junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

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