O prefeito de Governador Celso Ramos, Marcos Henrique da Silva (PL), foi afastado de suas funções nesta terça-feira (7) sob suspeita de participar de um esquema criminoso voltado para fraudar licitações no mercado de shows nacionais. A investigação, denominada Operação "Pão e Circo", é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em parceria com a Polícia Civil.
O esquema, segundo as investigações, visava eliminar a concorrência, manipular preços e concentrar a contratação de artistas de renome nacional em poucas empresas. Como medida cautelar, a Justiça determinou o afastamento de Marcos Henrique do cargo. A operação mobilizou cerca de 50 mandados de busca e apreensão em 18 municípios catarinenses, incluindo a sede da prefeitura de Governador Celso Ramos, onde malotes de documentos dos setores de licitações e contratos foram apreendidos.
Pelo menos nove prefeitos ou ex-prefeitos foram alvos de buscas, incluindo o prefeito de Porto Belo, Joel Lucinda (MDB), em cuja residência foram apreendidos R$ 58 mil e um celular. A Prefeitura de Porto Belo declarou que o prefeito cooperou integralmente com as autoridades. As investigações apontam que o esquema envolvia o pagamento de propina a empresários e agentes públicos, além de lavagem de dinheiro.
O empresário José Clemir Spinelli, dono da Spinelli Produções, empresa frequentemente vencedora de licitações para shows em cidades catarinenses, foi preso em Itapema. Spinelli é apontado como mediador do esquema e ostentava fotos com artistas de renome em suas redes sociais. As irregularidades concentravam-se nos processos licitatórios, e não diretamente nos shows. Ao todo, foram bloqueados aproximadamente R$ 9 milhões em bens e valores dos investigados para garantir eventual reparação ao erário público.


